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Jovem que fuma apenas maconha é "mais sociável"


Jovem que fuma apenas maconha é "mais sociável", diz estudo
da BBC Brasil

     Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Lausanne, na Suíça, sugere que adolescentes que usam apenas maconha são aparentemente mais "ajustados socialmente" do que os que fumam maconha e tabaco.
Segundo os especialistas, eles são mais sociáveis, têm mais amigos e praticam mais esportes do que os jovens que não fumam qualquer das duas substâncias.
     Jovens que fumam maconha e também os cigarros comuns podem ter mais problemas psicológicos e sociais, e eventualmente poderiam ser alvo de intervenção preventiva, dizem os cientistas.
"Embora eles não aparentem ter grandes problemas pessoais, de família ou acadêmicos, a situação dos adolescentes que usam só cannabis não pode ser banalizada", dizem os pesquisadores, que foram liderados pelo cientista J. C. Suris.
     O estudo, publicado no site de notícias científicas "Science Daily", revela que a maconha, ou cannabis, é a droga ilegal mais comumente usada pela juventude.
Seu consumo é associado ao uso de outras substâncias, incluindo o tabaco e drogas ilegais.


Pesquisas

     As conclusões dos pesquisadores foram baseadas num estudo nacional feito em 2002 envolvendo estudantes suíços com idades entre 16 e 20 anos.
Um total de 5.263 estudantes participaram da análise. Destes, 455 fumavam só maconha, 1.703 fumavam maconha e tabaco e 3.105 não fumavam qualquer das substâncias.
     O estudo revelou que, comparado ao grupo de estudantes que usava as duas substâncias, o grupo que fumava apenas maconha continha mais jovens do sexo masculino, praticava mais esportes, vivia com os pais e tinha melhores notas.
     Já em comparação com o grupo que não fumava maconha ou tabaco, os fumantes de maconha eram em sua maioria do sexo masculino (71,6% contra 47,7% no grupo dos abstinentes), tinham um melhor relacionamento com os amigos (87% contra 83,2%) e também praticavam mais esportes do que os abstinentes (85,5% contra 76,6%).
     Por outro lado, jovens que fumavam somente maconha tinham um pior relacionamento com os pais se comparados aos abstinentes (74,1% contra 82,4%). 


     Deixo a dica para os que gostam do tabaco:
Legalize!

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Participação Popular debate a descriminalização da maconha

     O fim da punição para usuários de maconha pode estimular o consumo? O Participação Popular desta semana entra no debate sobre as vantagens e desvantagens para a sociedade da descriminalização da droga. A TV Câmara vai ouvir profissionais de saúde, especialistas em segurança, deputados e o cidadão, que pode participar ao vivo, pelo telefone 0800 619619, pelo e-mail participacaopopular@camara.gov.br ou pelo twitter.com/participacaopop.

Verdades e mitos sobre a maconha



Poucos assuntos criam mais controvérsia e geram mais curiosidade do que a maconha, talvez porque se trate da droga ilícita que as pessoas comuns têm mais chance de conhecer ao longo da vida – estima-se que até 4% da população mundial já a tenha consumido. Mesmo assim, uma cortina de fumaça de desinformação ainda cerca a planta e seu uso. Abaixo às dúvidas mais comuns sobre a maconha, utilizando as últimas descobertas de médicos e cientistas para esclarecer quais são os perigos e o potencial da droga.

Também vale lembrar que, como em qualquer área da ciência, esses dados estão sujeitos a revisão constante: o que hoje parece uma certeza pode se revelar um equívoco com estudos mais cuidadosos. Além disso, muitas características da droga e de sua ação sobre o organismo ainda são pouco conhecidas.

Qual a origem da planta?
Conhecida pelos cientistas como Cannabis sativa, a erva parece ser originária das vizinhanças da cordilheira do Himalaia, na Ásia, e é consumida desde tempos pré-históricos. Foi consumida na Índia e na Pérsia antigas e passou a ser usada como narcótico no Ocidente a partir da época das grandes navegações, no século XVI.

Onde se pode consumi-la legalmente?
A legislação mundial ainda é rigorosa em relação à venda em larga escala da planta. Mesmo no país mais liberal do mundo em relação ao tema, a Holanda, só é possível comprar pequenas quantidades (alguns gramas, ou plantas em vasos) para consumo pessoal em lojas especializadas, e ninguém está autorizado a produzir ou vender a droga em larga escala. Legislações parecidas quanto à posse e consumo particulares (mas não quanto à venda pública) estão em vigor na cidade de Denver (Colorado, EUA), no estado americano do Alasca e em dois estados da Austrália.

Por que fumar maconha “dá barato”?
Porque o princípio ativo da droga é, por um acaso incrível, muito parecido com um importante mensageiro químico do cérebro. O princípio ativo, batizado com o indigesto nome de delta-9-tetraidrocanabinol (ou THC, para encurtar), tem estrutura química semelhante à de substâncias que controlam a passagem de sinais entre as células nervosas, os neurônios.

Esse sistema de mensagens do cérebro foi descoberto graças às pesquisas sobre maconha e, em homenagem à droga, foi batizado de sistema endocanabinóide (ou seja, a da “Cannabis produzida dentro” do corpo). O sistema endocanabinóide atua em quase todas as regiões do cérebro, mas o prazer gerado pela droga advém do fato de que ele atua sobre o córtex (a sede da consciência e da razão), a amígdala (ligada às emoções) e o tronco cerebral (responsável pela sensação de dor). É por isso que os usuários relatam experimentar tranqüilidade e bem-estar durante o consumo – as mensagens químicas ligadas à ansiedade ou a dor são barradas pela ação da droga sobre o sistema endocanabinóide.

Maconha pode ser consumida por jovens?
Não. Segundo um dos maiores especialistas no assunto, o neurocientista e farmacologista Daniele Piomelli, da Universidade da Califórnia em Irvine, o cérebro de adolescentes ainda está em formação e o consumo da droga pode ter sérias conseqüências. Entre as diversas estruturas que ainda não estão formadas no cérebro de um jovem está o sistema dopaminérgico, que processa informações de recompensa e está ligado a comportamentos de vício.

O uso causa dependência?
“Existe essa possibilidade”, diz Dartiu Xavier da Silveira, médico e pesquisador da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e um dos principais especialistas brasileiros em dependência de drogas. “No entanto, aparentemente a proporção dos usuários que se tornam dependentes é semelhante à que se vê entre usuários de álcool, ou seja, cerca de 10%”, afirma ele.

Ela abre o apetite?
Sim. A chamada “larica” (fome acentuada) associada ao uso da planta não é mera lenda urbana. Mais uma vez, a culpa é da ação sobre o sistema endocanabinóide: o THC também mexe com esse sistema no hipotálamo, área do cérebro que regula o apetite. Segundo Roger Nicoll, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Francisco (EUA), a comida passa a parecer mais desejável para alguém com “larica”.

A maconha serve de “escada” para drogas mais pesadas?
“Não existe nenhuma evidência sólida disso”, afirma Dartiu Xavier da Silveira. Usuários de cocaína e heroína muitas vezes também usam maconha, mas não há sinais de que a erva abra o apetite do usuário para outras drogas.

Quais são seus efeitos sobre a memória e o aprendizado?
A memória de curto prazo (aquela que nos permite absorver uma informação nova no momento presente) e a atenção ficam realmente prejudicados, mas só há sinais de um dano permanente com o uso contínuo e em grandes doses. Do contrário, deixar de fumar é suficiente para que essas funções do cérebro se refaçam.

Existe uma dose segura para consumo?
“Os estudos ainda estão muito no começo para afirmar qualquer coisa a esse respeito”, diz o médico da Unifesp.

É uma droga que mata neurônios?
Outro mito: a maconha não só não parece danificar diretamente os neurônios como há indícios de que possa impedir a morte dessas células quando elas são danificadas.

É mais ou menos nociva que o cigarro para os pulmões?
“Os efeitos nos pulmões são bastante parecidos com os de um cigarro normal”, conta Dartiu Xavier da Silveira. A diferença, explica o médico, é que raramente um fumante de maconha conseguirá consumir a droga em quantidades semelhantes aos maços diários de um fumante “normal”. Por isso, os danos tendem a ser menores.

Qual é o seu potencial terapêutico?
Similares químicos do THC, entre os quais os conhecidos como dronabinal e nabilona, já estão no mercado e são usados para combater as náuseas associadas à quimioterapia de pacientes com câncer. Testes conduzidos com pacientes de Aids com o mesmo problema também têm mostrado bons resultados.

Outras aplicações possíveis envolvem medicamentos contra ansiedade, analgésicos e até moderadores de apetite. Nesse último caso, a idéia é se inspirar no THC e no sistema endocanabinóide para criar um “antagonista” – uma substância que bloqueie as fechaduras químicas onde essas moléculas se encaixam e, assim, diminua a vontade de comer do paciente.

No futuro, qual é a chance de que fumar maconha seja permitido por razões médicas?
“Há quem defenda simplesmente fumar a maconha com objetivo terapêutico, mas a preferência tem sido pelo uso de comprimidos de THC, que evitam os problemas causados pela inalação da fumaça”, afirma o pesquisador da Unifesp. Mesmo o THC, por si só, não é perfeito: ele tende a ir parar em regiões indesejadas do cérebro, agindo de forma pouca específica e causando efeitos colaterais. Por isso, há também a intenção de criar versões modificadas da molécula para implementar o uso clínico.

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